A minha lua…
A minha lua foi durante algum tempo o meu Sol. Era bonita, de tons amarelos terra e a cheirar a Outono.
Homens e mulheres, vacas e bois, meninos e meninas, burros, cadelas e sei lá mais que outros bichos andavam rua acima…rua abaixo. Eram os dias de feira que havia na minha lua. O carteiro nesses dias tinha dificuldade em passar com a "pasteleira" e o saco da correspondência.
Há poucos anos voltei à minha lua. Sem foguetão, sem pressa, para a ver sorrir ao Sol de Outono como outrora…

Estava mais cinzenta a minha lua; agora tinha muito cimento e pouca pedra…e também muito "pouca terra" porque o comboio tinha deixado de lá passar. Disseram-me na "Papelaria Albuquerque" que tudo estava mudado! Que a Tia Maria já não se tinha nas pernas para ir à feira…que a feira já não era como antigamente. Os homens e as mulheres, os meninos e as meninas subiam, rua acima…mas de "Audi". As vacas e os bois, esses iam em espaçosas camionetas…e já nem abanavam a "cauda", rua acima rua abaixo, a enxotar as moscas…
Os burros…, já nem os havia, agora! As cadelas…só as viam nas tabernas!
E a "pasteleira", transformara-se em motorizada vermelha e…"Honda". E o carteiro já nem levava cartas porque estavam fora de moda…
E a minha lua?
Já não era o Sol! Parecia a Terra quando o astronauta do espaço tinha dado, ao pisar nela pela primeira vez, aquele passo tão pequeno para o homem…
Mas a minha lua tinha dado um passo muito mais pequeno em "Humanidade"! Já não me dizia nada…nem sorria para mim.
E já não era a minha querida e saudosa lua…